Zadie Smith: uma entrevista

Há autobiografia em Swing Time. A mulher sem nome que narra o quinto romance de Zadie Smith é emocionalmente como ela, birracial como ela, nasceu na mesma cidade, mas vive outra realidade. Smith atreve-se a escrever na primeira pessoa, e nesse eu há o eco da autora a questionar o poder.

Fonte: Zadie Smith: o escritor é um adolescente a fazer perguntas óbvias – PÚBLICO

É preciso topete 

Os líderes políticos portugueses devem pedir desculpa pelo papel do país no tráfico de escravos e incentivar uma discussão sobre o tema na sociedade portuguesa, defendem especialistas americanos ouvidos pela Lusa.

É preciso topete. Vêm estes iluminados recomendar aos outros o que não recomendam a si próprios. Eu acho que o mundo está à espera que os filhos do tio Sam peçam desculpa pelo extermínio dos índios americanos, e pelo que fizeram em Hiroxima e Nagasaki, no Iraque, no Afeganistão, na Coreia, no Vietname, etc. Com uma diferença: os bons filhos do tio Sam bateram em retirada, com um activo de milhares de mortos e feridos às costas, fazendo crer ao mundo que deixaram uma linda obra. A linda obra americana, nesses países, ainda hoje está à vista.

Fonte: Historiadores norte-americanos dizem que Portugal deve pedir desculpa por tráfico de escravos – Atualidade – SAPO 24

Ricardo caiu no buraco de ozono

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O Major Cunha e Cunhas era, além de major, engenheiro, e, além de major e engenheiro, era também inventor e, além de major, engenheiro e inventor, era maluco, segundo diziam os vizinhos, para quem estas coisas de ser diferente eram muito complicadas.

No seu currículo de inventor constava, entre outras obras de génio, a invenção de uma Máquina para Armazenar Ideias Durante o Sono, uma Vassoura Computadorizada para Bruxas Modernas, um Escadote Virtual para Chegar à Lua, um Automóvel com Asas Escamoteáveis para Engarrafamentos de Trânsito, um Despertador para Não Despertar, além de um divertido Curso de Cambalhotas para Políticos Profissionais e um Manual para Ensinar Papagaios a Cantar Rock Futurista. (…)

Como se pode verificar pelo que atrás ficou dito, o Major Cunha e Cunhas era um inventor de elevados pergaminhos. Mas, como qualquer simples mortal, ambicionava chegar mais longe. Trabalhava com afinco num projeto ultra-secreto (embora toda a gente falasse nele) para construir um máquina com que reparar o buraco de ozono, com a qual pretendia candidatar-se ao Prémio Nobel das Invenções.

© António Garcia Barreto. Ilustrações de Mónica Cid.
(Livro esgotado à procura de editor)