É preciso topete 

Os líderes políticos portugueses devem pedir desculpa pelo papel do país no tráfico de escravos e incentivar uma discussão sobre o tema na sociedade portuguesa, defendem especialistas americanos ouvidos pela Lusa.

É preciso topete. Vêm estes iluminados recomendar aos outros o que não recomendam a si próprios. Eu acho que o mundo está à espera que os filhos do tio Sam peçam desculpa pelo extermínio dos índios americanos, e pelo que fizeram em Hiroxima e Nagasaki, no Iraque, no Afeganistão, na Coreia, no Vietname, etc. Com uma diferença: os bons filhos do tio Sam bateram em retirada, com um activo de milhares de mortos e feridos às costas, fazendo crer ao mundo que deixaram uma linda obra. A linda obra americana, nesses países, ainda hoje está à vista.

Fonte: Historiadores norte-americanos dizem que Portugal deve pedir desculpa por tráfico de escravos – Atualidade – SAPO 24

Pós-caos

Agora que os fogos terminaram (nesta fase), tenho a sensação que no pós-caos de Pedrógão está muita coisa a ser varrida para debaixo do tapete. Há muita gente responsável a dizer coisas, mas não se sabe de nada. É estranho. Ou nem tanto. Sempre podemos esperar por respostas concretas lá para as calendas gregas e pelo nim político. Comme d’habitude.

Títulos

Tornou-se moda entre uma certa camada da pequena burguesia urbana chamar aos filhos, seus ou de familiares e amigos, príncipes e princesas. Alguns estão mais próximo de serem “Príncipes do Nada” (*) do que príncipes ou princesas de alguma coisa. Não deixa, no entanto, de ser curiosa esta designação no seio de uma república. Enfim, a pequena burguesia sempre nos habituou a sonhos altos para compensar perfis baixos.

(*)Nome de um programa de televisão

Em luta, camaradas

Há muito tempo que não ouvia falar na Ana Avoila. Mas ela aí está de novo, em luta, ao lado da classe operária. Quer dizer, da função pública. Este ano temos eleições e é preciso não descurar a acção. Tal como o seu camarada e comissário educativo Mário Nogueira, aparecem sempre quando são desnecessários. Ou seja, quando o país tenta melhorar de crises sucessivas para que é arrastado por líderes incompetentes.

Festividades

Voltámos à festa dos feriados, greves e pontes. Em ano de eleições autárquicas é bom estar com um pé dentro do Governo e com o outro pé fora. Estar com um pé dentro possibilita manter a estratégia de alargar a influência do caciquismo nos vários órgãos do Estado, estratégia antiga. Estar com o outro pé fora dá possibilidade de fingir que a luta continua, operários para a rua. Quais operários? Não interessa. Pode ser a Função Pública.

Por curiosidade, só no Ribatejo são pelo menos dez os municípios que comemoram o feriado municipal na Quinta-feira de Ascenção, ou Dia de Espiga (Almeirim, Alcanena, Golegã, Torres Novas, Azambuja, Benavente, Cartaxo, Chamusca, Salvaterra de Magos, Vila Franca de Xira). Se se marcar uma greve à sexta-feira é um bónus apreciado. Nem é preciso gastar dias de férias para fazer a ponte.

Somos um povo estranho

Não consigo perceber como é que os chineses conseguem manter frutarias, com preços acessíveis, fruta nacional, e os portugueses não entram nesse negócio, ao nível local. Como é que, nas lojas tradicionais chinesas, conseguem vender produtos a preços acessíveis fabricados em Portugal e em Espanha (não falo nos produtos de origem chinesa), e os portugueses não pegam em negócio que não seja subsidiado. É verdade que os chineses têm as lojas abertas 7 dias em 7, não encerram para almoçar e não gozam feriados.

Se queremos comprar parafusos, uma escova, uma lâmpada, etc., temos de nos deslocar a uma grande superfície e adquirir uma caixa do mesmo produto. O apelo das grandes superfícies, que as autarquias acarinharam por causa das taxas que cobram, ajudou também a matar o pequeno comércio, de expressão local.

Mas só isto não explica o sucesso das lojas chinesas.