Reler e pensar a poética de Manuel António Pina

Nesta tarefa de alto risco mergulha Rita Basílio, ao abordar a obra poética de Manuel António Pina, oferecendo aos seus leitores um livro que resulta da edição da sua tese de doutoramento, prefaciado pelo filósofo Sousa Dias. Guiada pela proposta de «ler uma pedagogia do literário em Todas as Palavras, de Manuel António Pina, procura aceder aos temas nucleares que, de acordo com a autora, se apresentam na sua poesia, como os da morte, da infância, da língua e da memória.

Fonte: Reler e pensar a poética de Manuel António Pina – Revista Caliban

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A diferença entre ser culto e ser inteligente

“Ser culto” y “ser inteligente” se consideran estados distintos del intelecto. Uno se refiere a la “cultura” que posee una persona y el otro tiene connotaciones un tanto más científicas, como una característica casi fisiológica que puede medirse y cuantificarse.

Fonte: La diferencia entre ser culto y ser inteligente, según Samuel Beckett – Cultura Inquieta

Simplex?

A secretária de Estado da Modernização Administrativa, Graça Fonseca, assumiu a sua homossexualidade (nada contra a sua orientação sexual), obviamente apoiada pelo habitual coro de esganiçadas & esganiçados.
Porra, nos tempos que correm é preciso coragem. Antigamente não, era tudo mais fácil. Além disso é preciso saber estar em lugar adequado para que os holofotes da comunicação social amplifiquem o facto. Mas o que é que nos interessa uma questão do foro privado reproduzida pela boca do trombone?

Anemia criativa

É certo que os grandes autores (escritores, poetas) vão desaparecendo. O mesmo sucede com músicos, actores, artistas plásticos. Mas, hoje, no tempo que corre, essa gente extraordinária (e. g. morreu Jerry Lewis) que vai desaparecendo das nossas vidas, por morte ou pelo esquecimento, substitui-se por quem? Onde está a descendência dessas grandes vozes públicas que nos ajudavam a compreender o mundo e a mudá-lo, independentemente do seu escopo criativo? Essa circunstância, que não é generalizável, mas não deixa de ser preocupante, deve-se mais ao tempo que vivemos, um tempo superficial, de vidas e coisas descartáveis, de escassez de valores, de uma juventude anémica cujos sonhos os políticos (que país, que mundo, se constrói sob a liderança de um Trump?) destruíram com os seus comportamentos inaptos e pouco exemplares, e sem o contraditório e a acção crítica da opinião pública; deve-se mais, dizia, a esses factos que à falta de potencial criativo das novas gerações. Potencial que não se expressa por falta de oportunidades. Até na arquitectura. Não há também condições públicas e privadas que desencadeiem o fogo dessa criatividade. Note-se que até no panorama musical, hoje dominado pelos concertos de bandas, são muitas vezes os dinossauros que actuam, porque ainda não apareceram bandas com força suficiente para os destronar. Não vivemos uma época de grande criatividade, é certo, mas continua a haver criatividade, embora menos expressiva, menos útil, menos flamejante. Hoje é difícil encontrar um objecto cultural intenso, que nos toque, nos apaixone, e perdure.

Leituras

Numa releitura de “Os Buddenbrook” de Thomas Mann, Prémio Nobel da Literatura em 1929, sou levado a fazer comparações com “Os Maias” de Eça de Queiroz. Ambos os escritores viveram sensivelmente na mesma época (Thomas Mann era mais novo 30 anos) e escreveram sobre a realidade do seu tempo (séc. XIX) nos respectivos países. Numa comparação apriorística o nosso escritor consegue dar-nos um romance de época muito mais contido em número de páginas e com uma escrita muito mais galvanizante, em vários desenvolvimentos da realidade burguesa da época, muito mais realista na abordagem das relações amorosas, com alguma truculência adjectivante e algum humor à mistura. Thomas Mann é soturno e demasiado prolífico na descrição dos ambientes. Há páginas e páginas que dão sono. Eça de Queiroz apresenta uma escrita viva, Thomas Mann uma escrita densa, mas cansativa. Ambos são extraordinários romances, mas a minha apreciação e gosto pende claramente para “Os Maias” de Eça de Queiroz.

A culpa é da árvore

Culpa-simpson

Uma árvore centenária (um carvalho com 200 anos) caiu no Funchal, no sítio do Monte. Como havia lá uma cerimónia relativa à Senhora do Monte, o espaço estava cheio de gente. A árvore caiu e matou 13 pessoas, ferindo 49. Não sei em que estado mais ou menos grave se encontram.

Lê-se as notícias, as opiniões de técnicos e responsáveis autárquicos e outras entidades, e a conclusão primeira a que se chega é que estava tudo bem antes da árvore cair. Portanto, se a árvore caiu a culpa é dela. Quase tudo o que acontece de mau, em Portugal, é culpa do azar. Neste caso, será culpa da árvore que não devia ter-se despedido da vida sem anunciar o facto. Já o que aconteceu recentemente em Pedrógão, também parece que não é culpa de ninguém. Talvez do SIRESP, que não se comportou bem. Sucedeu. Ponto final.

É por isso que em Portugal se usa tanto a expressão “a culpa morreu solteira”. É que morre mesmo.

Ser diferente é beber água de outra fonte

O que me custa mais nas viagens que faço é ver e reconhecer que, para além do património secular, dos cheiros, dos climas, que fazem a diferença dos lugares que cruzo, tudo o resto, que é actual, não passa de um copy and past de realidades importadas dos países ricos, das megacidades, das vedetices transmitidas pelos canais por cabo (ou fibra). Onde é que está a diferenciação criadora do ser humano? Somos todos iguais? Todos gordos, todos magros, todos a imitar o penteado do Cristiano Ronaldo (evoco-o por ser produto nacional, e o que é nacional é bom, segundo o slogan)? Tolice nossa. O mundo não é assim tão pequeno. Nós é que somos muitos, e a comunicação é urbi et orbi  repercutindo a voz do dono, os grupos de pressão instalados.