Civilização decadente

passeador-de-caesCivilização decadente é aquela em que os cães e os gatos ganharam estatuto de gente, assumindo o lugar que cabe às pessoas, a filhos e a netos. Passeiam no jardim, são amados, embonecados e vestidos a imitar os humanos. Até lhe dão nomes comuns às pessoas. Já não são bobis e tarecos, mas César, Julieta, etc. Alguns dormem na cama com os donos. E tem as doenças das pessoas. Provavelmente, já existem tantos consultórios e hospitais veterinários como clínicas e hospitais para seres humanos.

Quando se deixa a pequena-burguesia urbana liderar o modelo civilizacional, ser a bitola dos comportamentos, o resultado só pode ser este.

Padre Angústias

Pedrógão Grande

Foi estranho, foi esquisito e foi brutal. A tragédia de Pedrógão Grande convoca-nos o luto pelas vidas perdidas, a tristeza pela perda de bens e deixa-nos uma interrogação sobre se a nossa floresta é a floresta que devemos ter. Esperemos que as autoridades do sector, face a mais uma tragédia, reflictam no assunto “florestas” e tomem decisões rápidas e acertadas com vista a que, no futuro, não tenhamos de assistir a tragédias desta dimensão, minimizando os impactos negativos em vidas e bens, sendo certo que aquilo que a Natureza quer, a Natureza consegue.

O longo braço do Benfeitor

Conocer las fechorías cometidas por Rafael Leónidas Trujillo, el ‘Padre de la Patria’ de República Dominicana, era muy peligroso. Jesús de Galíndez, que escribía sobre el dictador, desapareció en Nueva York en 1956 y nunca se volvió a saber de él

Fonte: República Dominicana: El largo brazo del Benefactor | Opinión | EL PAÍS

E assim foi

Há séculos que esperamos por D. Sebastião. Regressou, enfim, em dia de Nossa Senhora de Fátima, disfarçado de Salvador, entoando uma canção suave e melodiosa, como se pedisse desculpa por nos fazer esperar tanto tempo. Aleluia.

A morte dos blogues

Tentar manter um blogue de enfoque cultural, mesmo que mínimo, é uma batalha perdida, neste momento. Numa sociedade do efémero, do descartável, qualquer coisa que aprofunde o conhecimento do ser humano, tanto do ponto de vista filosófico, como histórico e literário, ou, se quisermos, do ponto de vista cultural, incluindo outras áreas como o cinema, o teatro, o bailado, a pintura, a música clássica, é ignorada ou olhada de través. Vivemos na Civilização do Espectáculo em que tudo, ou quase tudo, gira em torno da imagem, do ego, do individualismo feroz, consubstanciado nas selfies, na luta individual por resultados, na ausência de linhas de força éticas e de comportamentos verdadeiramente altruístas. Cada um trata de si, embora quase todos falem dos outros. Poucos se interessam pela vertente social, embora muitos se aproveitem dela para benefício próprio, seja como trampolim para a fama ou para resultados económicos.

Numa sociedade blindada ao pensamento, gerida em torno dos interesses de uma classe média rasteirinha e muito senhora do seu nariz, que vive de estereótipos e de modas passageiras, a Cultura, nas suas diversas formas, acaba por ser vista como uma coisa chata, desinteressante. Há culpados deste estado de coisas: o primeiro culpado é uma instrução escolar deficiente, que aponta apenas para a obtenção de resultados a qualquer preço; a outra, é uma deficiente educação familiar. A família desagregou-se. Se tinha defeitos e mascarava realidades, a família singular não resulta melhor. Dificilmente os jovens encontram nessa família desestruturada, ela própria parca em saber cultural, e desinformada, o apoio que necessitam para construirem o seu presente e desenharem o seu futuro.

Desse apagamento da Cultura, resulta que os blogues que tentem seguir pelo debate de ideias, pela informação e discussão cultural, não encontrem espaço para se reafirmarem. Vão morrendo os blogues, como vai estiolando o teatro, o cinema, a literatura, a cultura em geral. Melhores dias virão, no entanto.