LONGYEARBEAN

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Na neblina que te cobre

longínqua cidade setentrional

esconde-se o teu rosto triste

e quase infernal

Tudo é branco e cinzento

e só a cor garrida de algumas casas

permite a alegria do olhar

Onde escondeste o sol

cidade perdida nas lonjuras do Ártico?

© António Garcia Barreto
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Reler e pensar a poética de Manuel António Pina

Nesta tarefa de alto risco mergulha Rita Basílio, ao abordar a obra poética de Manuel António Pina, oferecendo aos seus leitores um livro que resulta da edição da sua tese de doutoramento, prefaciado pelo filósofo Sousa Dias. Guiada pela proposta de «ler uma pedagogia do literário em Todas as Palavras, de Manuel António Pina, procura aceder aos temas nucleares que, de acordo com a autora, se apresentam na sua poesia, como os da morte, da infância, da língua e da memória.

Fonte: Reler e pensar a poética de Manuel António Pina – Revista Caliban

Os incêndios

Não devias empurrar fogo tão solitário
sob os umbrais de uma morada
nos carreiros que vão dar aos montes
sairás ainda em súplica
quando os incêndios ignorarem a ameaça
da tua vassoura de giestas

a sombra uma vez avulsa
não retorna a mesma

não despertes o que não podes calar

José Tolentino Mendonça (Pe.)