Olhar para o céu

Houve fogo e muitos mortos em Pedrógão Grande. Roubaram material de guerra em Tancos. Estava tudo bem? Não estava? Existirão os habituais inquéritos, tá prometido. Nós por cá ficamos à espera, talvez até às calendas. Insuspeitas opiniões, nos jornais, apontam o dedo a este e àquele, sobretudo se for de antagónica cor política. Esclarecem-nos, outros, porém, que o mal que acontece por cá também acontece noutros países, o que nos deixa mais descansados. A consabida e histórica falta de dinheiro do país, a incompetência desleixada e a corrupçãozinha, é uma trindade que há décadas anda pelo país a fazer das suas, sem que ninguém a pare. Não será excessivamente grave, mas é grave. Em Portugal nunca acontece nada de relevante para além do penteado do CR7, o afluxo de turistas, os concertos e os fogos de verão. Quando acontece alguma coisa manifestamente grave, como o fogo em Pedrógão e o roubo de material de guerra em Tancos, e é preciso encontrar responsáveis, a responsabilidade dilui-se de imediato e fica tudo a olhar para o céu de dedo espetado. Será Deus o culpado?

Pós-caos

Agora que os fogos terminaram (nesta fase), tenho a sensação que no pós-caos de Pedrógão está muita coisa a ser varrida para debaixo do tapete. Há muita gente responsável a dizer coisas, mas não se sabe de nada. É estranho. Ou nem tanto. Sempre podemos esperar por respostas concretas lá para as calendas gregas e pelo nim político. Comme d’habitude.