Vistos Gold

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Catarina Martins citou a investigação do Expresso e do The Guardian para justificar as suas palavras

Fonte: Autárquicas – BE quer fim de ‘vistos gold’ que ″servem para lavar dinheiro da corrupção″


O mais certo é Catarina Martins e o BE terem razão. Este negócio cheira mal. E lixo já cá tempos de sobra.
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E assim lá vamos cantando e rindo

As obras públicas em Portugal concitam o riso, porque já ninguém se amargura, nem sequer com o dinheiro que lhe esmifram em impostos. Vem uma entidade e pavimenta o passeio; vem outra e asfalta a rua; de seguida vem outra e rompe o passeio para meter cabos, por exemplo, mas deixa as pedras soltas. A seguir vem outra e rompe o asfalto e outra que torna a romper o passeio para colocar um candeeiro de rua. Mas não se fica por aqui. Porque antes, outra entidade ajardinou o local, que uma das outras entidades vem revolver para executar qualquer outra obra. Não há planeamento nem de urbanizadores nem de câmaras. O português paga e não bufa. Há a bola, a Nossa Senhora de Fátima, as telenovelas, as manhãs dos canais de televisão. E assim lá vamos cantando e rindo.

Fogos

Todos os anos as labaredas lambem o património nacional até não poderem mais. Todos os anos o problema passa para o ano seguinte. As autoridades que tratem do assunto, pensamos nós, no íntimo. E elas tratam. Todos os anos da mesma maneira.

Apanhar minhocas para as canas dos outros

Analisado à luz da longa duração (Braudel), Portugal está igual ao que sempre foi. De vez em quando acende-se uma luzinha. Como nos tempos que correm. Depois, apaga-se.

O nosso destino é apanhar minhocas para as canas dos outros.

António Garcia Barreto

Olhar para o céu

Houve fogo e muitos mortos em Pedrógão Grande. Roubaram material de guerra em Tancos. Estava tudo bem? Não estava? Existirão os habituais inquéritos, tá prometido. Nós por cá ficamos à espera, talvez até às calendas. Insuspeitas opiniões, nos jornais, apontam o dedo a este e àquele, sobretudo se for de antagónica cor política. Esclarecem-nos, outros, porém, que o mal que acontece por cá também acontece noutros países, o que nos deixa mais descansados. A consabida e histórica falta de dinheiro do país, a incompetência desleixada e a corrupçãozinha, é uma trindade que há décadas anda pelo país a fazer das suas, sem que ninguém a pare. Não será excessivamente grave, mas é grave. Em Portugal nunca acontece nada de relevante para além do penteado do CR7, o afluxo de turistas, os concertos e os fogos de verão. Quando acontece alguma coisa manifestamente grave, como o fogo em Pedrógão e o roubo de material de guerra em Tancos, e é preciso encontrar responsáveis, a responsabilidade dilui-se de imediato e fica tudo a olhar para o céu de dedo espetado. Será Deus o culpado?