Dias assim

O homem parou à porta da taberna e recolheu do cinzeiro exterior as beatas que outros lá deixaram, metendo-as no bolso num gesto dissimulado. Era um homem ainda novo, com boa presença física, embora andrajoso. Depois entrou na padaria, ao lado, e comprou dois pãezinhos. A minha imaginação acelerada levou-me a pensar que ele ia fazer sandes de beatas. Mas não. Era apenas a miséria num dos seus rostos envergonhados, tão típica num país de faz-de-conta.

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