Recortes literários I

“Os meus passos, nessa manhã de Fevereiro, levaram-me até ao Café de la Paix, um bar que – acabava de o ler no comboio – nunca honrara o seu pacífico nome, um bar nocturno que por hábito fechava ao meio-dia, um bar monstruoso que há meses despertara a ira dos vizinhos dos prédios próximos, especialmente a de um vizinho muito famoso chamado Graham Greene, habitante de Antibes que por mais de uma vez perdera completamente a paciência e atirara todo o género de objectos contra os clientes do bar, chegando mesmo ao extremo de um dia utilizar, como arma de arremesso, nada menos que a sua medalha da Legião de Honra Francesa.”

Enrique Vila-Matas in “Estranha Forma de Vida”, Assírio & Alvim, 1997