Fogos

Todos os anos as labaredas lambem o património nacional até não poderem mais. Todos os anos o problema passa para o ano seguinte. As autoridades que tratem do assunto, pensamos nós, no íntimo. E elas tratam. Todos os anos da mesma maneira.

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A culpa é da árvore

Culpa-simpson

Uma árvore centenária (um carvalho com 200 anos) caiu no Funchal, no sítio do Monte. Como havia lá uma cerimónia relativa à Senhora do Monte, o espaço estava cheio de gente. A árvore caiu e matou 13 pessoas, ferindo 49. Não sei em que estado mais ou menos grave se encontram.

Lê-se as notícias, as opiniões de técnicos e responsáveis autárquicos e outras entidades, e a conclusão primeira a que se chega é que estava tudo bem antes da árvore cair. Portanto, se a árvore caiu a culpa é dela. Quase tudo o que acontece de mau, em Portugal, é culpa do azar. Neste caso, será culpa da árvore que não devia ter-se despedido da vida sem anunciar o facto. Já o que aconteceu recentemente em Pedrógão, também parece que não é culpa de ninguém. Talvez do SIRESP, que não se comportou bem. Sucedeu. Ponto final.

É por isso que em Portugal se usa tanto a expressão “a culpa morreu solteira”. É que morre mesmo.

Civilização decadente

passeador-de-caesCivilização decadente é aquela em que os cães e os gatos ganharam estatuto de gente, assumindo o lugar que cabe às pessoas, a filhos e a netos. Passeiam no jardim, são amados, embonecados e vestidos a imitar os humanos. Até lhe dão nomes comuns às pessoas. Já não são bobis e tarecos, mas César, Julieta, etc. Alguns dormem na cama com os donos. E tem as doenças das pessoas. Provavelmente, já existem tantos consultórios e hospitais veterinários como clínicas e hospitais para seres humanos.

Quando se deixa a pequena-burguesia urbana liderar o modelo civilizacional, ser a bitola dos comportamentos, o resultado só pode ser este.

Padre Angústias

Bentley sem inveja

Um homem andar de Bentley sendo conhecido sobretudo pelos seus diversos cargos públicos, remunerados por uma bitola muito baixa se comparada com cargos superiores e de administração de empresas privadas (ou Ronaldos do mundo), é estranho. No mínimo, suscita uma explicação. Recebeu uma herança? Saiu-lhe o Euromilhões? Descobriu uma mina de ouro, um poço de petróleo, e registou-os em seu nome? Uma estrela de Hollywood ofereceu-lho porque o achou um homem charmoso? Lá que é estranho, é.